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8 de setembro de 2011

O Ministério da Educação deve distribuir tablets para alunos da rede pública em 2012




De acordo com o ministro da Educação, Fernando Haddad, no próximo ano o Ministério da Educação deve distribuir tablets pata todos os alunos matriculas na rede de ensino público no país.  A notícia aconteceu durante o painel do ministro na 15ª Bienal do Livro, em São Paulo.

“Nós estamos investindo em conteúdos digitais educacionais. O MEC investiu, só no último período, R$ 70 milhões em produção de conteúdos digitais. Temos portais importantes, como o Portal do Professor e o Portal Domínio Público. São 13 mil objetos educacionais digitais disponíveis, cobrindo quase toda a grade do ensino médio e boa parte do ensino fundamental”, afirmou Haddad.

O ministro também disse que o edital que prevê a compra dos dispositivos deve ser publicado até o final deste ano. Na opinião dele, a compra dos tablets representa uma nova etapa para o Ministério e ainda fortalecer a indústria brasileiro, as editoras e os autores de livros.

“O MEC, neste ano, já publica o edital de tablets, com produção local, totalmente desonerado de impostos, com aval do Ministério da Fazenda. A ordem de grandeza do MEC é de centenas de milhares. Em 2012, já haverá uma escala razoável na distribuição de tablets”, informou.

Entretanto, Haddad não conseguiu informar sobre o número de tablets que deve ser adquirido pelo MEC, apenas que seriam “centenas de milhares”. O ministro ainda disse que o plano esta sendo realizado devido a uma parceria junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia.


I ENCONTRO LUSO-BRASILEIRO SOBRE TRABALHO DOCENTE VI ENCONTRO BRASILEIRO DA REDE ESTRADO

TEMA: POLÍTICAS EDUCACIONAIS E MUDANÇAS NO CONTEXTO ESCOLAR



APRESENTAÇÃO:
 
O I Encontro Luso-Brasileiro sobre o Trabalho Docente, realizado em conjunto com o VI Encontro Brasileiro da Rede ESTRADO, tem como tema central Políticas Educacionais e Mudanças no Contexto Escolar. A escolha desse tema foi motivada pela necessidade de discutirmos questões relacionadas ao trabalho docente, levando em conta o contexto atual de profundas mudanças nas políticas educacionais que vem afetando significativamente a vida e a atuação dos profissionais da educação nos mais diversos níveis e modalidades de ensino. 

O I Encontro Luso-Brasileiro sobre o Trabalho Docente, juntamente com o VI Encontro Brasileiro da Rede ESTRADO, será coordenado pelos grupos de pesquisa do PPGE-UFAL, pelo Núcleo de Investigação ECFI - Escola, Currículo e Formação de Identidade do Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) / Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCE-UP) e pela Coordenação no Brasil da REDE ESTRADO, em parceria com as Universidades brasileiras participantes do PROCAD-CAPES da UFAL com a PUC/SP e a UNESA/RJ, bem como a UFPel/RS, a UFMG e Universidades portuguesas, Universidade do Minho e Universidade de Lisboa. 

A realização desse evento justifica-se pela necessidade de promover o fortalecimento da pesquisa e da produção intelectual voltada para a área do trabalho docente e estimular o intercâmbio e a inserção internacional de pesquisadores sobre o tema.

PERIODICIDADE DO EVENTO:
Realização a cada dois anos, alternando entre a UFAL/Brasil e a Universidade do Porto/Portugal.
  • 2011 em Maceió;
  • 2013 no Porto.

OBJETIVOS:
  • Divulgar e compartilhar pesquisas educacionais realizadas no Brasil, em Portugal, América Latina e no Exterior que tenham como eixo temático o trabalho docente;
  • Formar e consolidar redes de mobilidade, intercâmbio e cooperação acadêmica nacional e internacional entre Programas de Pós-Graduação em Educação da UFAL e a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto e as demais Universidades parceiras;
  • Mobilizar, de um lado, docentes, pesquisadores e orientadores e, de outro, estudantes de pós-graduação dos grupos das instituições envolvidas, para a ampliação da formação de doutores no Brasil e em Portugal, bem como contribuir para a produção científico-acadêmica no âmbito dos Programas de Pós-Graduação envolvidos;
  • Contribuir para o estreitamento de parcerias que permitam o desenvolvimento e aprimoramento teórico e metodológico dos grupos de pesquisa ligados aos programas de estudos pós-graduados, fomentando o conhecimento e a divulgação sobre a problemática do trabalho docente.

ESTRUTURA DO EVENTO:
  • Mesa de Abertura: Amélia Lopes (UP/PT) e Dalila Oliveira (UFMG);
  • Mesas-redondas;
  • Sessões Especiais;
  • Sessões de Comunicação Oral;
  • Sessões de Pôster;

ÁREAS TEMÁTICAS:
1. POLÍTICAS PÚBLICAS E TRABALHO DOCENTE;
2. TRABALHO DOCENTE E HISTÓRIA;
3. TRABALHO DOCENTE E FORMAÇÃO DE PROFESSORES;
4. TRABALHO DOCENTE, EAD e TECNOLOGIAS;
5. TRABALHO DOCENTE, CONDIÇÕES DE TRABALHO, SAÚDE E SINDICALIZAÇÃO;
6. TRABALHO DOCENTE E ENSINO: DIDÁTICA, CURRÍCULOS E AVALIAÇÃO;
7. TRABALHO DOCENTE, DIVERSIDADE E INCLUSÃO;
8. REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E TRABALHO DOCENTE;
9. TRABALHO DOCENTE, IDENTIDADES E AFETIVIDADE;
10. TRABALHO DOCENTE E EDUCAÇÃO BÁSICA;
11. TRABALHO DOCENTE E CORPOREIDADE.

COORDENAÇÃO GERAL:

Maria Auxiliadora da Silva Cavalcante (PPGE/CEDU/UFAL)
Amélia Lopes (FPCEUP)
Dalila Andrade Oliveira (UFMG / ESTRADO)
Laura Cristina Vieira Pizzi (PPGE/CEDU/UFAL)
Álvaro Hypolito (UFPel - ESTRADO)
Neiza Frederico Fumes (PPGE/CEDU/UFAL)
Fátima Pereira (FPCEUP)


PÚBLICO ALVO:
Pesquisadores do Brasil, de Portugal e do Exterior que investigam a problemática relacionada ao Trabalho Docente em todos os níveis e modalidades, alunos de pós-graduação em Educação e áreas afins. 

II Seminário Educação do Campo e Contemporaneidade





Será realizado entre os dias 22, 23 e 24 de setembro o II Seminário Educação do Campo, com o tema Educação do Campo e Contemporaneidade: mudança, afirmação e desafios. O II Seminário é uma iniciativa do grupo de Pesquisa Educação do Campo e Contemporaneidade, vinculado ao PPGEduc - Programa de Pós- Graduação em Educação e Contemporaneidade da UNEB (Universidade do Estado da bahia) e acontecerá no Campus I da UNEB, em Salvador. O Seminário, além de envolver palestras e mesas redondas, irá abrir inscrições para trabalho. As inscrições para apresentação de trabalho serão iniciadas no dia 02 de maio e serão encerradas dia 30 de julho. 

Objetivo Geral: 
Promover o encontro com pesquisadores e educadores do campo para socializar as pesquisas e experiências, bem como, aprofundar o debate sobre educação do campo e contemporaneidade a partir das temáticas: Campo como um Espaço de Vida; Educação do Campo e desenvolvimento; Educação do Campo, Memória e Diversidade dos povos do campo e Educação e Movimentos Sociais do Campo. 

Objetivos específicos: 

• Reunir pesquisadores e educadores da Educação do Campo para apresentarem e debaterem os estudos e experiências desenvolvidas no âmbito local, regional e nacional;
• Articular com os participantes a constituição de uma rede regional de pesquisadores e educadores do campo;
• Estabelecer formas e meios, de modo permanente, de socialização e divulgação das pesquisas e experiências em educação do campo.

Data: 22, 23 e 24 de setembro de 2011.
Horário: das 08 às 18:00.
Local: Auditório Jurandir Oilveira – DEDC - UNEB- Campus I. Estrada das Barreiras, s/n, Narandiba. Salvador –BA.

Público: Estima - se a presença de 250 participantes, entre eles: Pesquisadores, Estudantes de graduação e pós-graduação e Educadores do campo dos seguintes segmentos:
- Movimento Social e Sindical.
- Fórum de Educação de Jovens e Adultos- Bahia.
- Fórum de Educação do Campo. - Programas Especiais de Educação do Campo.
- Coordenação Estadual de Educação do Campo.
- Universidades. 

Data de inscrições de trabalho
 (comunicação e pôster): de 02 de maio a 30 de Julho.

VALOR DAS INSCRIÇÕES:
Estudantes de graduação - R$ 15,00
Estudantes de pós-graduação - R$ 20,00
Professores/ Pesquisadores - R$ 30,00
Militantes de Movimento Social e Sindical - Isento 

Inscrições através de DEPÓSITO IDENTIFICADO no Banco do Brasil, Agência 3454-1
CC. 27.797-5.

Enviar a ficha de inscrição, juntamente com o comprovante de depósito identificado e o artigo para o email: seminarioeducacaodocampouneb2011@yahoo.com.br

Grupos de Trabalho:
Orientações para inscrição em Grupo de Trabalho:

• Cada pesquisador poderá inscrever apenas um trabalho como autor e quantos desejar como co-autor.
• Devem ser submetidos artigos completos, no seguinte formato:
• Fonte: Times New Roman, 12, espaçamento entre linhas 1,5.
• Título do trabalho em maiúscula, negrito, com alinhamento centralizado;
• Nome dos autores, instituição e e-mail abaixo do titulo alinhado e centralizado;
• Resumo de no máximo 500 palavras, apresentando três palavras- chave, ao final;
• Maximo de 15 páginas incluindo referências, tabelas e gráficos.

Orientações para inscrição em Pôster:
Para apresentação de Pôster os participantes deverão enviar um resumo de no máximo 500 palavras, contendo: título, nome completo, instituição, orientador, contatos, objeto, objetivos, metodologia e resultados alcançados, apresentando entre 3 e 5 palavras-chave, no formato Word, fonte times New Romam, 12, parágrafo justificado, espaço entre linhas simples.

Critérios de seleção:
• Originalidade e relevância do trabalho para ampliação das reflexões teóricas sobre educação do campo e contemporaneidade;
• Profundidade conceitual na colocação dos problemas;
• Consistência e rigor na abordagem teórico-metodológico e na argumentação;
• Interlocução com a produção da área;
• Formatação, respeitando orientações e normas da ABNT. 

GRUPOS DE TRABALHO

1. Movimentos sociais, Estado e Políticas Públicas de Educação do Campo.
Ementa: refletir sobre os processos educativos advindos dos Movimentos Sociais do Campo Brasileiro e Baiano, bem como, compreender os diferentes processos que asseguram sua reprodução social e suas diversas formas de resistência e de afirmação; políticas públicas de educação do campo e o papel dos movimentos sociais na consolidação destas políticas.

2. Educação Básica e Superior do Campo.
Ementa: debater sobre as políticas de acesso a educação básica e superior do campo, considerando seus aspectos políticos e sociais que influenciam o acesso a todos os níveis de ensino dos sujeitos do campo. Encaixam-se neste GT trabalhos que discutam os seguintes aspectos: organização do trabalho pedagógico, organização escolar do campo (escolas isoladas, multisseriadas, nucleadas), educação infantil e creches no campo, ensino superior e seus aspectos no desenvolvimento do campo, acesso e permanência ao ensino superior no campo, construção paradigmática de novos conhecimentos acerca da educação superior do campo.

3. Educação do Campo e Educação de Jovens e Adultos. Ementa: considerar os aspectos históricos da educação de jovens e adultos no Brasil, enfatizando a educação de jovens e adultos do campo; os movimentos sociais e a educação de jovens e adultos para os sujeitos do campo; a educação de jovens e adultos em acampamentos e assentamentos de reforma agrária; processos e metodologias para a educação de jovens e adultos do/no campo; políticas de educação de jovens e adultos na Educação do Campo.

4. Educação do Campo, Currículo e Formação de Professores.
Ementa: discutir a abordagem dos diferentes níveis (séries) e modalidades de ensino/aprendizagem a partir das seguintes temáticas: práticas pedagógicas, gestão, avaliação, currículo e relação professor-aluno. Formação, saberes e trabalho docente na perspectiva da Educação do Campo. Articulação teoria e prática na formação docente. Tempos e espaços de formação; formação para a educação não-escolar; inserção sócio-profissional do egresso; demandas de formação; impactos dos processos formativos no âmbito do estudante, da família, da escola e da comunidade.

5. Educação do Campo, Agricultura Familiar e Desenvolvimento. Ementa: refletir sobre educação do campo, considerando os desafios, limites e possibilidade da agricultura familiar; problematizar o modelo de desenvolvimento que serviu para expulsar as populações do campo; e aprofundar o debate sobre as questões ambientais, destacando os princípios e fundamentos da Agroecologia como possibilidade para as povos que vivem no/do campo.

6. Educação do Campo, Geração e Gênero.
Ementa: debater a Educação do Campo, seus problemas e potencialidades no atendimento a educação voltada para crianças e jovens, buscando facilitar o intercâmbio das experiências e a articulação entre os diferentes pesquisadores e grupos de pesquisa, a partir da discussão sobre subjetividades e identidades coletivas, oportunidades e condições de vida, consumo, lazer e sociabilidades, políticas de controle social formal da infância e juventude e as estratégias de controle informal, movimentos sociais, políticas públicas e participação política de crianças e jovens, sexualidades,visões de mundo e perspectivas do futuro.

7. Educação do Campo, História, Memória e Identidade.
Ementa: socializar e debater os estudos sobre educação, história, memória, diversidade cultural e identidade dos povos do campo; modo de vida no campo e sua relação com os processos educativos; campo como espaço de luta e resistência; a história de luta por uma educação do campo; as potencialidades culturais do campo e sua articulação com a educação.

PROGRAMAÇÃO :
22 de setembro (quinta-feira)
Manhã:
08:00 Mística
08:20 Acolhida
08:30 Apresentação Cultural
08:45 Mesa de Abertura
09:30 Conferência de abertura: “O Campo como um espaço de vida.”
Conferencista: Maria Nazareth Baudel Wanderley. ( Prof. De Sociologia Rural do IFCH/UNICAMP, colaboradora do PPGS/UFPE)

Tarde:

14:00 Mesa: Educação do Campo e o debate paradigmático sobre o desenvolvimento.
Convidados:
Bernardo Mançano (UNESP);
Edmerson dos Santos Reis (UNEB),
Guiomar Inez Germani (UFBA).

Noite: Livre

23 de setembro (sexta – feira)
Manhã :
08:00 Mística
08:20 Acolhida
08:30 Apresentação cultural
09:00 Mesa: Educação, Memória e Diversidade dos Povos do Campo.
Convidados: Eliane Dayse Pontes Furtado (UFC)
Maria do Socorro Silva (UFCG)
Salomão Mufarrej Hage (UFPA)
Sônia Meire Santos de Azevedo de Jesus (UFS)

Tarde
14:00
Apresentação dos trabalhos nos Grupos de Trabalho

Noite: Forró com a Banda Flor de Barriguda

24 de setembro (sábado)
08:00 Mística
08:20 Acolhida
08:30 Apresentação cultural
09:00 Mesa: Educação do Campo e Movimentos Sociais: relato de experiências dos Movimentos Sociais e Sindicais e ONGs do Campo.
Convidado: Fórum Estadual de Educação do Campo.

Tarde: Avaliação do Evento (Comissão Organizadora)



Fonte: http://www.ppgeduc.com/ppgeduc/2secc.html

I RECITEC RECÔNCAVO - Reunião Anual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura no Recôncavo da Bahia



V Seminário de Pesquisa do Recôncavo da Bahia
V Seminário Estudantil de Pesquisa da UFRB
V Seminário da Pós-Graduação da UFRB
II Seminário Regional de Pesquisa da EBDA
5ª Jornada Científica da Embrapa Mandioca e Fruticultura
VIII Seminário Estudantil de Pesquisa e Extensão da FAMAM
Semana de Ciência, Tecnologia e Inovação no Agronegócio
Fórum de Gestores de Iniciação Científica e Tecnológica da Bahia
II Simpósio Baiano de Defesa Agropecuária
I Semana de Educação Tutorial da UFRB

Objetivo

Congregar estudantes, professores e pesquisadores das instituições de ensino superior, ensino médio e fundamental, institutos de pesquisa e o público em geral, promovendo a difusão e estimulando o debate a respeito das atividades científicas e tecnológicas desenvolvidas em âmbito nacional e especificamente no Recôncavo Baiano. O objetivo é elaborar estratégias para alavancar o desenvolvimento científico e tecnológico da região promotora do evento com uma programação que contempla temas relacionados às questões locais, concentrando discussões sobre o desenvolvimento sustentável da região, sob a ótica da ciência e tecnologia.

Período

De 13 a 16 de setembro de 2011

Local

Campus da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) em Cruz das Almas, Bahia, Brasil.

Público-Alvo

Estudantes e professores universitários, estudantes e professores do ensino médio e fundamental, pesquisadores de diferentes institutos de pesquisa do Brasil, gestores de ensino, educadores e o público em geral.

Realização

Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
Faculdade Maria Milza (FAMAM)
Embrapa Mandioca e Fruticultura (EMBRAPA)
Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A (EBDA)

2 de setembro de 2011

'Quem precisa de escola em tempo integral no Brasil é professor, não aluno'

 
 

Diretora da Escola Brasileira de Professores, que se dedica à educação inicial e continuada de docentes do ensino básico, Guiomar Namo de Mello está, é claro, preocupada com a formação dos mestres no Brasil. Contudo, ela não engrossa o coro daqueles que acreditam que a saída para o problema está em oferecer melhores salários. “Se você me perguntasse se o professor ganha mal, eu diria que sim. Mas para o que alguns fazem, é muito”, diz. Para a especialista, mais do que maiores vencimentos, os docentes precisam de melhor formação: saídos de escolas públicas ruins, apenas espalham seu desconhecimento aos alunos. “A formação do professor é uma questão estruturante. Sem ela, nenhuma melhora é possível”, sentencia Guiomar. Aperfeiçoar a formação dos docentes e coordenar as ações de estados e municípios que quiserem promover reformas na área - ambas tarefas do governo federal - serão desafios do presidente que o país elegerá neste ano. Confirma a seguir os principais trechos da entrevista com a educadora.

A senhora costuma afirmar que, até o início dos anos 90, a educação não fazia parte da agenda estratégia dos governos. Hoje, ela já está entre as prioridades?
 
Os setores mais bem informados da sociedade se deram conta de que a educação é urgente em termos de desenvolvimento sustentável. Por isso, acredito que haja uma pressão maior por parte da população. No entanto, a educação vem sempre carregada de visões imediatistas e às vezes extremamente pessoais dos governantes. Na política, a educação está facilmente sujeita a uma certa pirotecnia, ou seja, os governos e os políticos em geral querem sempre faturar mais com o menor custo possível. E, assim, faltam foco e prioridade. Faltam medidas que se dirijam a questões estruturantes da educação.

Quais são essas questões?
 
A qualidade da formação do professor, por exemplo, é uma questão estruturante. Sem ela, nenhuma melhoria é possível. E há pouca disponibilidade para atacar esse problema. É preciso mudar completamente os sistema de formação de professores, que ficou refém de um ensino superior. Mas não há disposição de se investir política e financeiramente para atrair os melhores para a carreira de professor. 

O que fazer para formar um bom professor? 
 
É preciso enfrentar os cursos de pedagogia, mas não vejo nenhum político se referindo a isso. Também temos que formar o professor em tempo integral, porque eles estão saindo do ensino médio analfabetos e chegam ao ensino superior para reproduzir a sua ignorância. Depois, vão para a escola pública e repetem o círculo vicioso da ignorância. Então, quem precisa de escola em tempo integral no Brasil é professor, não aluno. Nosso professor sai da escola pública: depois de uma formação deficitária no ensino superior particular, onde ele pode dar aula? No ensino público, de onde saiu. E ainda tem quem diga que é ele o culpado pela má qualidade do ensino. Ele não é culpado, mas apenas uma peça dessa engrenagem. Para enfrentar esse problema é preciso vontade política e recursos financeiros para investir na formação do professor. Se estivéssemos dispostos a fazer isso, poderíamos ter um ensino de qualidade.

No Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2008, apenas 2,7% dos cursos de pedagogia alcançaram a nota máxima, igual a 5. O que precisa mudar no currículo dessas instituições?
 
Precisamos de um currículo onde o futuro professor não estude só a teoria. Ele precisa conhecer a prática desde o primeiro dia, como os médicos. O modelo de formação clínica é o melhor modelo para o professor. Ele não precisa estudar os recônditos da pedagogia. Ele precisa aprender como se ensina e como o aluno aprende. O professor é um artesão, ele não é um grande criador. Da mesma forma que o médico não é um criador. Ele tem que ser um excelente aplicador de conhecimento. A sala de aula é o foco e a referência do trabalho dele.

O currículo escolar praticado hoje é outra questão estruturante?
 
Sim. Hoje temos um ensino enciclopédico e precisamos acabar com essa crença. Precisamos saber para que finalidade queremos educar os jovens. Temos que educá-los para sobreviver em um mundo cada vez mais complicado, em que a informação está disponível para todos. Para isso, você precisa desenvolver competências que são básicas: saber falar, pensar, usar a linguagem, aplicar o conhecimento adquirido para entender o mundo ao seu redor. É preciso um ensino mais relevante. Ou a gente atende a esses desafios ou não melhoramos o ensino.

Muitos especialistas apontam que o salário do professor é um empecilho para o avanço da educação no Brasil. Como a senhora enxerga essa questão?
 
A remuneração é um fator a ser revisto. O salário precisa melhorar, mas só isso não resolve o problema. O aumento do salário tem que ser uma decorrência do aumento da responsabilidade do professor e do mérito. Se você me perguntasse se o professor ganha mal, eu diria que sim. Mas para o que alguns professores fazem, é muito. E para o que outros fazem, é pouquíssimo. Para corrigir isso, precisamos de mecanismos para diferenciar um do outro. O que não pode é aumentar o salário de todos.

A meritocracia é uma saída para isso?
 
A ainda que seja uma única medida, ela é interessante e pode fazer a diferença em São Paulo, onde foi aplicada. Porque se o professor quiser progredir só pelo tempo de trabalho - como normalmente ocorre - o salário dele aumenta em um determinado ritmo. Mas se ele quiser fazer um concurso sobre o conteúdo que ele ensina, ele pode ter um aumento substancial e buscar um atalho na carreira. Ele começa a ganhar mais antes do tempo previsto. Acredito que são esses os mecanismos que atraem os profissionais. Porém, é preciso lembrar que na educação não existe uma única saída. A solução tem que mexer em diferentes fatores. Sozinha a meritocracia não resolve muito. Por mais que incentive o professor, se ele não sabe como ensinar, ele precisa aprender.

Qual o maior desafio na área da educação que o próximo presidente, a ser eleito neste ano, deverá enfrentar?
 
A questão do professor talvez seja o abacaxi mais complicado para descascar, em todos esses aspectos. O presidente da República manda no ensino superior. E é no ensino superior que está o problema do professor. Não adianta desconversar. A questão da formação do professor é responsabilidade do Ministério da Educação – seja no ensino superior público federal ou nas faculdade e universidades particulares, que são autorizadas e supervisionadas pelo governo. Portanto não dá para se esquivar. Também precisamos lembrar que o governo federal não é o gestor do ensino básico no Brasil. Gestores são estados e municípios. Cabe ao governo federal liderar e coordenar políticas para estados e municípios que queiram promover reformas. E para isso é preciso haver um grande pacto federativo da educação. O presidente eleito precisa usar o respaldo que ganhará nas urnas para chamar estados e municípios e equacionar os problemas mais estruturantes da educação. É importante estabelecer um pacto federativo.
 
 

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