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26 de agosto de 2011

Sete motivos para um professor criar um blog


A intenção é trazer para cá algumas das ideias
que a gente vê perdidas pelo mundo — real ou virtual

(Blog de Nelson Vasconcelos)

Nesse mundo da tecnologia, inventam-se tantas novidades que realmente é difícil acompanhar todas as possibilidades de trabalho que elas abrem para um professor. Recentemente, surgiu mais uma: o blog.

Mas o que vem a ser isso? Trata-se de um site cujo dono usa para fazer registros diários, que podem ser comentados por pessoas em geral ou grupos específicos que utilizam a Internet. Em comparação com um site comum, oferece muito mais possibilidades de interação, pois cada post (texto publicado) pode ser comentado. Comparando-se com um fórum, a discussão, no blog, fica mais centrada nos tópicos sugeridos por quem gerencia a página e, nele, é visualmente mais fácil ir incluindo novos temas de discussão com frequência para serem comentados.

Esse gênero foi rapidamente assimilado por jovens e adultos do mundo inteiro, em versões pessoais ou profissionais. A novidade é tão recente; e o sucesso, tamanho, que em seis anos, desde o início de sua existência, em 1999, o buscador Google passou a indicar 114 milhões de referências quando se solicita a pesquisa pelo termo “blog”, e, só no Brasil, aparecem 835 mil resultados hoje.

No mundo acadêmico, por sua vez, esse conceito ainda é praticamente desconhecido. O banco de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) não apresenta nenhuma referência sobre o tema e, mesmo em buscas internacionais, são pouquíssimos os trabalhos a respeito do que se pode fazer com um blog nas escolas. Todas as referências encontradas estão no pé deste artigo.

Não é à toa que tantos jovens e adultos começaram a se divertir publicando suas reflexões e sua rotina e que tantos profissionais, como jornalistas e professores, começaram a entrar em contato com seu público e seus alunos usando esse meio de comunicação. No blog, tudo acontece de uma maneira bastante intuitiva; e não é porque a academia ainda não disse ao professor que ele pode usar um blog que essa forma de comunicação deve ser deixada de lado. Com esse recurso, o educador tem um enorme espaço para explorar uma nova maneira de se comunicar com seus alunos. Vejamos sete motivos pelos quais um professor deveria, de fato, criar um blog.
1-     É divertido
 É sempre necessário termos um motivo genuíno para fazer algo e, realmente, não há nada que legitime mais uma atividade que o fato de ela ser divertida. Um blog é criado assim: pensou, escreveu. E depois os outros comentam. Rapidamente, o professor vira autor e, ainda por cima, tem o privilégio de ver a reação de seus leitores. Como os blogs costumam ter uma linguagem bem cotidiana, bem gostosa de escrever e de ler, não há compromisso nem necessidade de textos longos, apesar de eles não serem proibidos. Como também é possível inserir imagens nos blogs, o educador tem uma excelente oportunidade de explorar essa linguagem tão atraente para qualquer leitor, o que aumenta ainda mais a diversão. O professor, como qualquer “blogueiro”, rapidamente descobrirá a magia da repercussão de suas palavras digitais e das imagens selecionadas (ou criadas). É possível até que fique “viciado” em fazer posts e ler comentários. 
2-     Aproxima professor e alunos

Com o hábito de escrever e ter seu texto lido e comentado, não é preciso dizer que se cria um excelente canal de comunicação com os alunos, tantas vezes tão distantes. Além de trocar ideias com a turma, o que é um hábito extremamente saudável para a formação dos estudantes, no blog, o professor faz isso em um meio conhecido por eles, pois muitos costumam se comunicar por meio de seus blogs. Já pensou se eles puderem se comunicar com o seu professor dessa maneira? O professor “blogueiro” certamente se torna um ser mais próximo deles. Talvez, digital, o professor pareça até mais humano.

3-     Permite refletir sobre suas colocações

O aspecto mais saudável do blog, e talvez o mais encantador, é que os posts sempre podem ser comentados. Com isso, o professor, como qualquer “blogueiro”, tem inúmeras oportunidades de refletir sobre as suas colocações, o que só lhe trará crescimento pessoal e profissional. A primeira reação de quem passou a vida acreditando que diários devem ser trancados com cadeado, ao compreender o que é um blog, deve ser de horror: “O quê? Diários agora são públicos?”. Mas pensemos por outro lado: que oportunidade maravilhosa poder descobrir o que os outros acham do que dizemos e perceber se as pessoas compreendem o que escrevemos do mesmo modo que nós! Desse modo, podemos refinar o discurso, descobrir o que causa polêmica e o que precisa ser mais bem explicado ao leitor. O professor “blogueiro” certamente começa a refletir mais sobre suas próprias opiniões, o que é uma das práticas mais desejáveis para um mestre em tempos em que se acredita que a construção do conhecimento se dá pelo diálogo.

4-     Liga o professor ao mundo

Conectado à modernidade tecnológica e a uma nova maneira de se comunicar com os alunos, o educador também vai acabar conectando-se ainda mais ao mundo em que vive. Isso ocorre concretamente nos blogs por meio dos links (que significam “elos”, em inglês) que ele é convidado a inserir em seu espaço.  Os blogs mais modernos reservam espaços para links, e logo o professor “blogueiro” acabará por dar algumas sugestões ali. Ao indicar um link, o professor se conecta ao mundo, pois muito provavelmente deve ter feito uma ou várias pesquisas para descobrir o que lhe interessava. Com essa prática, acaba descobrindo uma novidade ou outra e tornando-se uma pessoa ainda mais interessante. Além disso, o blog será um instrumento para conectar o leitor a fontes de consulta provavelmente interessantes. E assim estamos todos conectados: professor, seus colegas, alunos e mundo.

5- Amplia a aula

Não é preciso dizer que, com tanta conexão possibilitada por um blog, o professor consegue ampliar sua aula. Aquilo que não foi debatido nos 45 minutos que ele tinha reservados para si na escola pode ser explorado com maior profundidade em outro tempo e espaço. Alunos interessados podem aproveitar a oportunidade para pensar mais um pouco sobre o tema, o que nunca faz mal a ninguém. Mesmo que não caia na prova.

6-     Permite trocar experiências com colegas

Com um recurso tão divertido em mãos, também é possível que os colegas professores entrem nos blogs uns dos outros. Essa troca de experiências e de reflexões certamente será muito rica. Em um ambiente onde a comunicação entre pares é tão entrecortada e limitada pela disponibilidade de tempo, até professores de turnos, unidades e mesmo escolas diferentes poderão aprender uns com os outros. E tudo isso, muitas vezes, sem a pressão de estarem ali por obrigação. (É claro que os blogs mais divertidos serão os mais visitados. E não precisamos confundir diversão com falta de seriedade profissional.)

7-     Torna o trabalho visível

Por fim, para quem gosta de um pouco de publicidade, nada mais interessante que saber que tudo o que é publicado (até mesmo os comentários) no blog fica disponível para quem quiser ver. O professor que possui um blog tem mais possibilidade de ser visto, comentado e conhecido por seu trabalho e suas reflexões. Por que não experimentar a fama pelo menos por algum tempo?

Antes de fazer seu próprio blog, vale a pena consultar as realizações de algumas pessoas comuns ou dos mais variados profissionais. Faça uma busca livre pela Internet para descobrir o que se faz nos blogs pelo mundo afora e (re)invente o seu!


Referências bibliográficas:
DICKINSON, Guy. Weblogs: can they accelerate expertise? Tese de mestrado em Educação da Ultralab, Anglia Polytechnic University, Reino Unido, 2003. Acesso em: 29 jul. 2005.
GENTILE, Paola. Blog: diário (de aprendizagem) na rede. Nova escola, jun./jul. 2004. Acesso em: 29 jul. 2005.
KOMESU, Fabiana Cristina. Blogs e as práticas de escrita sobre si na Internet. In: MARCUSCHI, Luiz Antônio; XAVIER, Antônio Carlos. Hipertexto e gêneros digitais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.
LEARNING and Leading with Technology. BlogOn, 2005. vol 32, n. 6.

Autora:  Betina von Staa

Betina von Staa é coordenadora de pesquisa em tecnologia educacional e articulista da divisão de portais da Positivo Informática. Autora e docente de cursos on-line para a COGEAE, a Fundação Vanzolini e o UnicenP, é doutora em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP.

28 de julho de 2011

Ensino da letra de mão é suspenso em escolas dos EUA



Especialistas discutem as consequências da medida para o desenvolvimento das crianças

O uso de computadores, celulares, tablets e laptops têm transformado o dia a dia das crianças. As mudanças são visíveis nas brincadeiras e também na hora do aprendizado dos pequenos. Tanto que nos Estados Unidos, a tradicional forma de escrever com a letra cursiva (de mão) foi considerada ultrapassada e o ensino deve ser abandonado em mais de 40 estados norte-americanos.

O primeiro deles a suspender por lei o ensino da letra cursiva nas escolas foi o estado de Indiana. Os defensores do novo código argumentam que, atualmente, as crianças não necessitam e quase não se utilizam de caneta e papel para escrever e por isso a alfabetização deve se focar no ensino da letra bastão e nos métodos de digitação. A medida causou polêmica nos EUA. Será que o hábito pode ser incorporado por aqui também?


Para a psicopedagoga Anete Hecht, diretora pedagógica do Colégio I.L.Peretz, em São Paulo, não há motivos que justifiquem a retirada do ensino da letra cursiva nas escolas brasileiras. “Os métodos devem ser somados e não reduzidos. A alfabetização acontece no primeiro momento com a letra bastão, depois a criança passa para a letra cursiva. Isso é importante porque na letra de mão, a criança desenvolve traços da sua identidade e personalidade”, afirma. A psicopedagoga se preocupa também com o desenvolvimento da coordenação motora fina das crianças, que poderia ser prejudicada pelo abandono da letra de mão.


Mas segundo Saad Ellovitch, neuropediatra do Hospital Samaritano de São Paulo, o desenvolvimento da coordenação motora fina não está estritamente relacionado à escrita cursiva, mas também ao uso das mãos em movimentos sutis. “O cérebro se adapta às necessidades do corpo. Você pode desenvolver a motricidade fina, ou seja, a capacidade de execução de movimentos pequenos e delicados, com outras atividades, como por exemplo, o desenho”, afirma a especialista. O corpo é capaz de se adaptar assim às novas condições impostas pelo desenvolvimento humano.

Hoje, a substituição da escrita cursiva pela digital se apresenta como um processo natural - e não necessariamente um problema. “A escrita digital predomina na maioria dos trabalhos da esfera profissional. Por isso, o investimento no ensino da letra cursiva para essa função está cada vez mais em desuso", explica Maria Jose Nóbrega, filóloga e assessora da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. A portabilidade dos equipamentos é outro fator que desestimula a escrita de mão. No entanto, como os impactos das novas tecnologias sobre a educação e o aprendizado ainda são pouco conhecidos, a especialista reforça que os novos e os antigos métodos tendem a ser usados de forma conjunta.“Ainda não podemos excluir o ensino da letra cursiva, porque no Brasil nós não temos a universalização do acesso ao computador", diz. 

Outra razão seria porque a escrita manual desempenha algumas funções que ainda não foram substituídas pela digital. Uma letra bonita, em um caderno arrumado, é claro, também ensina conceitos de organização.


26 de julho de 2011

O Fim da Letra Cursiva com as Novas Tecnologias





“Com as novas tecnologias, o ensino da letra cursiva foi considerado ultrapassado e será opcional nos Estados Unidos. No Brasil, o uso da letra de mão tem perdido relevância na escola”.

O texto acima foi capa, neste último dia 18 de julho, do jornal O Estado de São Paulo. A mesma matéria noticiou que na Ásia, os estudantes não costumam aprender a letra de mão quando estudam inglês, francês e outras línguas ocidentais. A maioria dos japoneses e chineses é capaz apenas de ler o que está escrito em letra de forma, sem compreender a letra cursiva.

A letra cursiva, ou de imprensa, tem perdido terreno para as novas tecnologias. E ao lançarmos nosso olhar para o mundo do trabalho passamos a entender que bilhetes e assinaturas em documento oficiais já se tornaram exceção à regra. O comum é nos comunicarmos através do computador, smartphones, tablets, assinaturas eletrônicas… Não se pode mais desconsiderar o fato de que o mercado de trabalho é dominado pela tecnologia. O que nos leva a refletir que o uso da letra de mão está ficando a cada dia mais restrito à escola.

O tema é controverso. Para alguns especialistas em educação, a letra cursiva não pode ser abandonada em razão de sua fluência. Pois, a rapidez que essa forma proporciona na hora de escrever nos permite tomar notas importantes durante situações em que a tecnologia não esteja disponível. A letra de mão, tecnicamente chamada de amalgamada, ainda é uma exigência, quer seja em provas, vestibulares ou concursos públicos. Ademais, não se pode escrever tudo em maiúsculo, pelo simples fato de que incorreria em erro ortográfico. Faça uma experiência, tente corrigir uma redação cujo autor dispensou o uso da letra cursiva pela de forma (ou bastão), toda em maiúsculo. É sofrível.

Luiz Carlos Cagliari, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara, acredita que a escrita manuscrita, inclusive a cursiva, não irá desaparecer das instituições de ensino, tampouco da vida das pessoas na sociedade. No entanto, a evolução nos forçará a nos adaptarmos. A escola deverá cada vez mais usar computadores para todas as atividades de escrita, desde a pré-escola. Para Cagliari, será uma vantagem cultural o indivíduo dominar todas as formas.

A revista Gestão Educacional, em artigo assinado por Yannik D’Elboux, aprofunda o tema ao apontar que há um consenso no que se refere à coordenação motora. Isto é, todos são unânimes em dizer que não existe uma perda de coordenação no desenvolvimento do aluno que não pratica a escrita cursiva. Uma vez que esta capacidade é aprimorada em diversas outras atividades. Aliás, Geraldo Almeida, professor da UFPR, neste mesmo artigo nos diz que a coordenação motora fina da ponta dos dedos costuma ser bem exercitada na escola, em razão da familiaridade das novas gerações com o teclado.

Se a letra cursiva é mais eficiente, porque não tira o lápis do papel ao fazermos um apontamento, digitar um texto é, por outro lado, pensar no meio ambiente. É estar conectado a um grande número de pessoas numa fração de segundo, ou mesmo obter “a” informação no momento em que a necessidade se faz presente… Seja como for, teclar é uma tendência. Alguém duvida?

Luciano Borges – Professor e Psicopedagogo -  www.lucianoborges.com
http://gplus.to/lucianoborges

15 de julho de 2011

Livros digitais mudarão nosso cérebro?

 

Desde o aparecimento da plataforma, especialistas discutem a capacidade dela de provocar mudanças na leitura, no aprendizado e na mecânica cerebral

Em 2009, quando a segunda geração do Kindle, o leitor de livros digitais da Amazon, chegou aos Estados Unidos, iniciou-se uma discussão sobre a capacidade de a nova plataforma provocar transformações nos processos de leitura, aprendizado e até mesmo na mecânica cerebral. O jornal americano The New York Times ouviu especialistas ligados à educação provenientes de diferentes áreas a respeito. Algumas ideias apresentadas pareceram pertinentes.

Para Alan Liu, pesquisador da Universidade da Califórnia, os e-books transformariam o ritual da leitura, solitário por excelência, em uma cerimônia coletiva, onde o principal agente transformador é o ambiente. As silenciosas bibliotecas, na visão dele, dariam lugar aos animados cafés, onde os jovens passariam a equilibrar a atenção focal e periférica (na obra que leem e no ambiente ao redor), algo muito difícil até então.
A distração é o principal obstáculo à leitura digital, apontou Sandra Aamodt, ex-editora chefe da revista Nature Neuroscience. Ela questionou a eficiência dos e-readers e destacou: "A leitura em uma tela exige maior esforço por parte do usuário."

Gloria Mark, também da Universidade da Califórnia, foi menos cética. Ela defendeu que o hipertexto, presente os livros digitais, enriquece o processo de aprendizado. Embora reconheça a vantagem de buscar, simultaneamente, informações adicionais na rede enquanto se entrega à leitura nos dispositivos eletrônicos, ela chamou a atenção para a falta de profundidade nesse processo. "Os jovens, quando conectados, alternam suas atividades a cada três minutos", alertou.

Maryanne Wolf, diretora do Centro de Pesquisa em Leitura e Linguagem da Universidade Tufts, fez uma defesa apaixonada da capacidade de adaptação dos jovens aos e-books. Ela explicou que o processo de leitura é baseado em uma arquitetura aberta e que essa característica torna mais flexível a absorção de conteúdo.

Em entrevista a VEJA, no entanto, a especialista ressaltou que nos dispositivos eletrônicos a leitura é mais veloz e, portanto, superficial. "Nesse caso, o circuito formado entre as áreas do cérebro envolvidas na leitura não chega àquela região em que ela seria processada de maneira mais analítica".

Entre os acadêmicos havia também os otimistas. David Gelernter, professor da Universidade de Yale, duvidava que a qualidade da leitura estivesse diretamente vinculada ao suporte em questão. Ele disse que o "meio não é a mensagem" e que a forma como o conhecimento chega ao ser humano é irrelevante. Na concepção de Gelernter, o que importa é a excelência do conteúdo e não o seu intermediário.


9 de julho de 2011

O Futuro do livro: A Era da escrita Digital






Discussão no Fórum de Cultura Digital aponta que a leitura ganha com os suportes digitais
O futuro do livro e da leitura a partir do livro digital foi o centro do debate em duas mesas do seminário do II Fórum da Cultura Digital Brasileira 2010 na segunda-feira, 15 de novembro. No seminário, o americano Bob Stein, do Institute for the Future of The Book, e Giselle Beiguelman, do Instituto Sérgio Motta e da PUC-SP, levantaram questões sobre o que muda na leitura e no aprendizado com a chegada dos livros digitais.

Bob Stein é um empreendedor e pensador da cultura digital. Nos anos 80, fundou a The Voyager Company, que popularizou os CD-ROMs interativos para instituições como o Museu do Louvre e a National Gallery e criou a Criterion Collection, responsável pelo relançamento de grandes clássicos do cinema em DVD. Para ele, é hora de repensar a experiência da leitura uma vez que são muitos os futuros apontados para o livro no começo do século 21.
“Se perdemos um pouco da experiência tátil e sensitiva do livro com a chegada das publicações digitais, também podemos ganhar muito com o que o livro digital nos traz de novo. Com os links, abertura para participação dos leitores, o livro se torna um espaço de congregação de leitores e até do autor. Deixa de ser uma experiência solitária para se tornar uma experiência comum de construção do conhecimento”, disse Stein.

Como exemplos, ele apresentou algumas experiências desenvolvidas no site “Future of The Book”, onde os livros são divididos como posts de um blog e abertos a comentários dos leitores. “O autor e o leitor ocupam o mesmo espaço e dessa maneira quem escreve ou propõe o texto se torna uma espécie de moderador de seminário”, define.

Para Giselle Beiguelman, com o surgimento das telas sensíveis ao toque (touchscreen),”cada vez lemos mais com as mãos do que com os olhos. A leitura não necessariamente é linear mas passa por uma trajetória de hiperlinks, áudio e vídeo.”

Stein ainda defendeu que tal concepção retoma a experiência antes de Gutemberg, quando o aprendizado era conduzido por leituras coletivas e os comentários sobre o escrito eram registrados nas margens. “A leitura era um processo de construção coletiva do conhecimento e está voltando a ter esse papel.”

Em sua opinião, o novo livro da cultura digital deveria partir do princípio da narrativa de videogames, como o War of Craft, que reúne 11 milhões de pessoas que constroem uma narrativa a partir da disputa criada em um coletivo. “Se a invenção da impressão foi fundamental para a consolidação do conceito de indivíduo, os suportes digitais de leitura estão reinventando uma leitura e uma construção de narrativas socializada.”

(Lauro Mesquita, SPC/MinC)

Fonte:  Fórum de Cultura Digital

30 de junho de 2011

LETRAMENTO DIGITAL: NOVAS PRÁTICAS LETRADAS






Aprender a pesquisar


Diante de uma grande quantidade de informações veiculadas na Internet, é preciso formar o leitor para selecioná-las. Que sites trazem informações mais confiáveis, por exemplo, em caso de pesquisa? Quais conteúdos de domínio público podem ser usados sem problemas de direitos autorais? Que locais na rede oferecem informações culturais ou científicas qualificadas? Essas são algumas das questões que podem nortear o trabalho com leitura crítica de conteúdos da Internet, para possibilitar que o aluno desenvolva sua capacidade de seleção de informações.


Esse trabalho de pesquisa na Internet envolve processos cognitivos, tais como levantamento de hipóteses, análise, comparação e síntese, além de habilidades para leitura de textos não-lineares, como hipertextos, e aqueles que se articulam também com imagem, áudio e vídeo. 


Aprender a publicar


Uma possibilidade importante na Internet é a facilidade de publicação e difusão de qualquer tipo de conteúdo (texto, imagem, áudio ou vídeo). No meio digital, pode-se publicar a partir de soluções sofisticadas ou simples, como as ferramentas para construção de blogs, voltadas principalmente para o público leigo. Essa característica contribui para o desenvolvimento de projetos pedagógicos em que professores e alunos produzam trabalhos que os qualifiquem como autores, e não como meros consumidores de informação. 

Contudo, a publicação de conteúdos na Internet escapa à avaliação e ao controle de qualidade. As pessoas podem publicar o que quiserem e deixar disponível para qualquer um ler e decidir individualmente sobre sua qualidade. Para assegurar qualidade no uso educacional desse recurso, é necessário orientar os alunos a planejar o que será divulgado, definir tamanhos e tipos de documentos, a navegação entre eles, num trabalho que envolve produção e edição de informações. É preciso que o aluno tenha algo importante a dizer e a publicar, e que se veja como autor. 


Aprender a comunicar-se digitalmente



Ambientes interativos como fóruns, salas de bate-papo e listas de discussão são os mais populares na Internet. Todos têm a finalidade de colocar grupos de pessoas em comunicação, mas as características de cada um os tornam mais adequados a este ou àquele tipo de uso. 


Do ponto de vista da educação, representam uma oportunidade para os professores trabalharem com seus alunos as habilidades de comunicação e expressão e suas particularidades no meio digital. Além disso, possibilitam a realização de trabalhos colaborativos, intercâmbios, debates, grupos de estudos, entrevistas etc.


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